Espiritualidade Literatura

O Outro Significado

Este foi o título mais enigmático que pude elaborar para meu livro. O que realmente seria o outro significado? Isto existe? É algo tangível? Acredito não haver uma verdade absoluta sobre o tema, tendo em vista que sua significância mantém-se em alternância conforme o modo de enxergar de cada um, que está principalmente centralizado em diferentes vivências e personalidades mundo adentro.

Vivemos inseridos em uma sociedade que possui leis e regras que variam conforme a sua posição geográfica e cultural. Começamos pela da nossa casa, passando pela nossa cidade, nosso país até as que abrangem todo o planeta terra. Como são leis e regras criadas pelo próprio ser humano, são suscetíveis a mudanças ao longo do tempo. Ou seja, nada é permanente, tudo é mutável.

Independente de qualquer crença ou a ausência dela, sabe-se que a maior dádiva que recebemos no mundo é o nosso livre arbítrio. Esta ferramenta pode ser usado tanto de forma positiva quanto negativa e se ela vem direto da essência do ser humano, onde não existem formas nem manifestações, ela não está passível de mudança; ela é permanente e sólida dentro do âmago do ser. 

As pessoas são reflexos dos estímulos que recebem e dos padrões que lhe são impostas como certo ou errado, bonito ou feito etc. E naturalmente seu livre arbítrio será intrinsicamente moldado a partir desses valores e ideias pré-concebidas.

Diferenciando lei e regra, temos que a lei é elaborada por um processo jurídico com intuito de infringir ordem em uma sociedade; a regra é uma norma estabelecida em prol de uma ordem, porém, não necessariamente passando pelo crivo de uma legislação atuante no mesmo cenário.

Podemos concluir que as leis abarcam regras e, por conseguinte, as regras são elementos das leis. Um termo dialoga com o outro constantemente. E quando as mencionamos podemos nos referir tanto as leis mais severas, como homicídios por exemplo, quanto as mais específicas que abrangem os aspectos comportamentais e sociais do cotidiano.

De acordo com Sócrates, as leis são formas de controle criadas pelo mais forte com objetivo de manipular o mais fraco. Excluindo-se preceitos inegáveis de má conduta como violência e roubo, por exemplo, temos as pequenas normas de sobrevivência criadas, mesmo que inconscientemente, pelos próprios cidadãos, que determinam um padrão comportamental uniforme para cada um que deseja manter sua reputação perante aos outros.

Não é muito raro encontrarmos uma pessoa depois de muito tempo e ela imediatamente perguntar sobre onde estamos trabalhando, como se nossa profissão definisse tudo que somos e tudo que podemos fazer. Também não é raro passarmos de uma certa idade e pessoas próximas questionarem sobre nossa vida amorosa, se iremos casar ou não, como se para alcançar a plenitude e a realização pessoal, é necessário nos unirmos matrimonialmente com alguém. Outro exemplo praticamente banal, porém simbólico, é o ato de sorrir em sessões de fotografia; quem não segue esta regra geralmente é segregado.

Com o advento das redes sociais outras regras e leis foram surgindo. As regras da boa utilização de nosso espaço virtual. Curta para ser curtido, comente para receber comentários, poste todos seus momentos felizes para ser bem visto, tire uma foto de forma específica para seu perfil, para não ser mal visto por amigos ou recrutadores. 

No entanto, a pessoa que cruza o portal e conhece o outro significado não necessariamente é alguém cem por cento subversiva, de comportamento e caráter duvidoso. O outro significado revela um modo de vida no qual o indivíduo percebe que todas as leis e regras tem um propósito e fazem parte de um todo, porém ele valoriza atitudes e palavras autênticas que mais satisfazem seu eu interior. E, principalmente, não tem vergonha de expor isso abertamente.

O lado ruim é que esta pessoa fatalmente cometerá muitos erros e provavelmente irá atrasar seu amadurecimento, todavia, quando todo o processo de autoconhecimento e autoavaliação estiver completo, ele poderá cruzar o limiar dos dois mundos e conviver harmoniosamente com pessoas de todos os tipos. É um processo doloroso, não recomendável, porém uma vez executado, não se pode voltar mais atrás. É preciso redefinir todas as significâncias e construir um novo significado para a vida, muitas vezes até restabelecendo objetivos anteriores. Obviamente também que, usufruindo de sua sabedoria adquirida, deve se aprender a se encaixar com o clichê e com padrões já enraizados na sociedade que não cruzou esta fronteira.

Em suma, para o caminhante do outro significado as regras e leis são elementos que constituem um modo de vida no qual as pessoas se harmonizam com códigos de conduta e atitudes na linha da normalidade para conviver entre si. Ele não concorda nem discorda deste “Way of Life”, entretanto, tem sensibilidade para vislumbrar um outro significado para sua vida, sem precisar se juntar a multidões e repetir tudo que os outros fazem. Aprende também, depois de mais experiente, que por mais que possua mais capacidade criativa que os outros, não deve subestimar nem desrespeitar a manada, que simbolicamente também faz parte de todo este universo de ideias e criações.

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