Literatura

A Voz Além das Páginas

Não é fácil escrever. Quando menciono o termo “escrever”, me refiro ao âmbito artístico, onde a pessoa usufrui de seu processo criativo para criar uma experiência nova e agradável para o leitor. Escritores e alguns blogueiros independentes possuem repertório e competência pra este tipo de tarefa. Mas mesmo nutridos de talento e tempo disponível, muitas vezes sofrem por não conseguir exprimir todo o sentimento que acalenta ou perturba sua alma.

Evidente que, ao escrever este texto, não quero desmerecer o trabalho de um jornalista corporativo ou mesmo um colunista. Medir o nível de dificuldade de diferentes segmentos de atuação soaria como infantil e presunçoso de minha parte. Entretanto, é inegável que tais funções minam a engenhosidade e a inventividade do profissional, seja totalmente ou parcialmente. Inocente é pensar que um texto opinativo de uma revista não possui filtros que atendam a posição ideológica daquele veículo.

Naturalmente o escritor também sofrerá imposições ao publicar sua obra. Em termos de construção criativa o trabalho é meritório apenas ao autor. Porém sem um processo gráfico coerente às necessidades do livro, bem como uma capa atraente, é impossível vislumbrar o sucesso futuro. E neste ponto entra o mérito das editoras. E por deterem tais responsabilidades, elas também tem carta branca para realizar modificações, mesmo que sejam apenas pormenores, mas que se adequem à princípios, valores e posicionamentos diversos que são inerentes à empresa.

Mesmo assim, defendo a posição de que o escritor ainda possui sua parcela de liberdade intelectual e criativa. Justamente porque este profissional pode camuflar ideias, conceitos, apreciações e opiniões durante sua jornada criativa. O principal objetivo de um escritor de ficção é entreter o seu público com uma leitura agradável e precisa de seu conteúdo, mas ele não pode fugir de sua principal tarefa: transmitir uma mensagem clara e impactante que faça o leitor sair da zona de conforto e refletir sobre aspectos ainda não experimentados, ou mesmo já experimentados mas não analisados por todos os ângulos possíveis.

Tal objetivo eu classificaria como “A voz além das páginas”. Expressar-se compassivamente e honestamente através de personagens e locais fictícios, fazendo com que o leitor identifique-se com diferentes personalidades e sinta que o autor deixou um pedaço de si naquela obra. Deve-se certificar de que a narrativa da obra está compreensível e viciante, mas sem relegar à segundo plano sua função primordial de comunicador e, portanto, alguém responsável por fornecer uma mensagem, um outro ponto de vista, uma experiência nova, etc. 

Antes de tudo, o escritor é um comunicador. E como tal deve se dar ao direito de não tocar seu público apenas superficialmente ou alegoricamente. Deve-se ter firmeza e clareza em suas ideias.

E também um pouco de inteligência e perspicácia. Caso sua editora seja demasiadamente metódica e moderada. 

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