Comportamento

A Origem de Comportamentos Questionáveis

Benjamin Franklin já dizia que “aquele que ama a si próprio, não possui rivais”. Uma leitura e interpretação rápida desta pequena e impactante frase nos leva a crer que as pessoas que têm o hábito de ficar julgando a vida alheia, na verdade sentem uma profunda insegurança em seus corações. Afinal, alguém que reconhece seu potencial e valoriza suas virtudes e aptidões, jamais perderá seu tempo, o mínimo que seja, atribuindo adjetivos ao próximo.

Devemos ter isso em mente quando observarmos situações como essa. A empatia tem o poder de nos conectar com qualquer tipo de pessoa envolvida em uma série de circunstâncias. Obviamente que ficar ao lado de uma pessoa que cultiva deste vício não é fácil. Porém é possível usar algumas técnicas para desvirtuar o foco do interlocutor referente aos outros para ele próprio. Através de perguntas referentes aos próprios conceitos criticados, podemos reverter o foco e fazer com que a pessoa passe a falar de si própria, muitas vezes revelando algumas contradições.

É necessário ser tolerante com este tipo de comportamento e filtrar o que pode ser relevante para o autodesenvolvimento de mente e espírito. É fácil imaginar porque isso acontece se analisarmos o sistema de competitividade que atravessamos logo na infância e também ao consumismo desenfreado que estamos sujeitos diariamente, onde se classifica as pessoas em função de suas posses ou ausência delas. 

As mídias sociais também exercem papel fundamental para potencializar a insegurança e solidão das pessoas. Por meio de um estratagema de marketing bem articulado, começando por sua arquitetura visual, passando pela sua proposta, e culminando em seu conteúdo que vangloria somente os “bons momentos” e “bons amigos” do usuário, contribuem para que, mesmo que inconscientemente, esteja-se imerso em uma esfera social virtual que contém regras ainda mais rigorosas para se manter uma boa reputação. E a saída para esse labirinto, na maioria dos casos, é julgar o outro, mesmo que seja off-line e sem microfone. 

As telenovelas são um outro exemplo, mas não menos eficiente, da “cultura” de julgar as pessoas. Sua estrutura narrativa e a escolha de seus personagens, em grande parte, constituem de atores e atrizes estrategicamente posicionados para produzir um conteúdo que sempre envolve triângulos amorosos, chantagem, falsidade, fofoca e estereótipos perfeitos de rico e pobre, desconsiderando as possíveis variáveis que podem ocorrer e, acima de tudo, ignorando a interpretação do público que detém menos repertório intelectual. Parafraseando Jean Jacques Rousseau, a curiosidade das pessoas é proporcional ao seu nível de instrução. E o nível de instrução, na maioria dos casos, está ligado a falta de oportunidade e não a falta de mérito. 

Quando vamos à fundo na causa sem repreender precipitadamente o efeito podemos enxergar algumas atitudes banais como simbólicas, isto é, que tem origem em um significado muito mais intrínseco da sociedade, que camufla inconscientemente o protagonismo e a doutrina fornecida pelo estado. Este é o principal culpado, direta ou indiretamente, por certos vícios comportamentais que a massa populacional cultiva.

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