Comportamento

A Vítima e o Protagonista

A forma que reagimos a uma determinada situação é o que nos define. A leitura e interpretação de um problema pode levar o ser humano a agir fundamentalmente de duas maneiras distintas, cada qual da sua forma particular.

Há um vício em ser uma vítima: o prazer em sentir dor. É como se o indivíduo tivesse em uma cidade repleta de anjos brancos e ele ser o único negro. A diferenciação e o antagonismo perante os outros o transforma em um ser único. É doloroso ficar sozinho e ser alvo de julgamentos, mas em contraste a isso, é extremamente gratificante ser alguém que possui uma singularidade peculiar que o diferencia de todas as pessoas “normais”. 

A vitimização é um mecanismo de autodefesa, usado primordialmente em casos em que a pessoa sente que nenhuma ação concreta pode ser eficaz frente a um problema qualquer. A outra razão para isso não é a constatação de que nenhuma ação possa ser útil, mas sim a escolha de se manter em uma zona de conforto que o mantém “vivo” e que privilegia a dor pessoal como válvula de escape no enfrentamento da situação.

O protagonista é otimista e resiliente. Sempre enxerga uma oportunidade em cada dificuldade. Não deixa se abater por ofensas, não se engrandece com elogios, é humilde, mas também não possui falsa modéstia. Sabe do seu valor e do que é capaz de fazer por si e para contribuir para os outros.

O choque entre a vítima e o protagonista pode ser extremamente difícil para ambos. A vítima quer se manter em seu mundo imaginário onde todos estão contra ele. O protagonista quer se manter em seu universo visionário, onde não há limites para sua capacidade criativa e prática. A vítima é o protagonista de sua novela mental, é o injustiçado que busca uma revanche, mas que por hora, não tem forças para agir. O protagonista é a vítima atuante, que almeja ter sempre o seu trabalho reconhecido, e se frustra quando outras pessoas, mais bem-aventuradas, alcançam o topo em seu lugar. 

Evidentemente que essas diretrizes são genéricas e variam de pessoa para pessoa. Mas é possível observar que a linha tênue que separa esses dois extremos é composta por conflitos mentais e necessidade de autocontrole, para que as emoções não reprimam as atitudes benéficas. A vítima, por mais que possua uma capacidade ímpar de imaginar e conjecturar, permanece inoperante frente aos obstáculos que lhe são impostos. O protagonista, embora esteja sujeito a erros, confronta os seus obstáculos e escreve sua própria história e, mesmo que inocentemente, altera o rumo de seu destino. 

Mesmo quando de fato somos vítimas de um dado acontecimento, a melhor solução é invertermos o pêndulo e agirmos como um protagonista. Ninguém pode definir um sentido para nossa vida, exceto nós mesmos. Vigiar nossos pensamentos e agir racionalmente com coragem nos coloca gradativamente no caminho do protagonismo. Não existe segredo; apenas a negação de ser submisso ao curso da vida.

Quanto a vítima, é necessário separar os fatos e distinguir os que de fato tem fundamento e os que são frutos da própria interpretação mental do indivíduo. Desta forma é possível traçar planos de melhora sem potencializar a gravidade de uma situação. 

1 comentário

  1. Muito interessante este ponto de vista! Antes ser protagonista do que vítima, por mais que muitos protagonistas ajam segundo pensamentos vitimizados e não pela clareza de suas atitudes e auto-responsabilidade com os fatos.

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