Cotidiano

A Pandemia Como Agente de uma Nova Era

Muitas doenças surgiram ao longo dos tempos, mas nenhuma teve um impacto econômico, social e de saúde tão estratosférico quanto o coronavírus. Isso nos faz refletir sobre o tamanho de todo esse estrago que vai muito além dos milhares de óbitos no país e no mundo, que por si só já representariam preocupação. 

Estamos imersos em uma quarentena, ouvindo a mídia fazer seu trabalho de nos informar mas também de nos assustar. O alarme causado pelo vírus é romantizado em diversas reportagens e caracterizado como praticamente um fenômeno que veio para mudar toda nossa configuração de sociedade atual.

Naturalmente iremos retornar às nossas atividades cotidianas algum dia, mas desconfio firmemente que as coisas não irão literalmente voltar ao normal. Estamos psicologicamente abalados e perdidos envolto a informações verdadeiras e outras falsas, que sistematicamente endossam o medo e o receio. 

De maneira alguma quero levantar qualquer bandeira de conspiração. Seria muita pretensão minha achar que tenho todos os recursos e provas para concretizar um movimento orquestrado por parte do sistema. Precisamos ser críticos e observadores para saber separar o que é ficção do que é realidade. Muitas “teorias” são fruto da imaginação de seus interlocutores. Outras, no entanto, são verdades intrínsecas que as pessoas não conseguem ou não querem ver. E a tecnologia auxilia muitos que a utilizam de forma efetiva para desvendar aquilo que está por trás do véu do mistério.

E é justamente sobre a tecnologia que este assunto fica mais interessante. Afinal, submetidos ao isolamento social, nos resta entre outras poucas coisas usufruir de suas ferramentas de entretenimento, sociabilidade, conhecimento e trabalho. As pessoas que podem trabalham em home office, os estudantes assistem suas aulas pelo Google Meet ou aplicativo do gênero, as crianças assistem vídeos no Youtube e jogam videogame, o Whatsapp continua vivo como nunca na tagarelice alheia e os stories do Instagram viraram uma espécie de diário de quarentena.

As celebridades e artistas em geral aproveitam para recitar poemas ao vivo, realizar uma breve apresentação musical, ou simplesmente jogar conversa fora com seus seguidores em vídeos ao vivo. A própria Organização Mundial da Saúde organizou um evento de celebridades musicais com intuito de arrecadar dinheiro para fundos de transferência para trabalhadores da área de saúde e pessoas mais necessitadas.

Na minha concepção, o coronavírus marca uma nova era da sociedade mundial. Tendo isso sendo feito de forma proposital ou não, o impacto tenebroso causado pelo vírus e a posterior divulgação do apocalipse que nos levou à quarentena, nos forçou a tornar-se mais dependente da tecnologia do que outrora. Grandes acontecimentos mundiais como as duas grandes guerras e a revolução francesa são exemplos de eventos que vieram para consolidar o início de um novo tempo.

Claro que não quero comparar esses eventos com o covid19. Mas seus sintomas comportamentais e o mecanismo de defesa do isolamento nos aproximou ainda mais de ferramentas tecnológicas e nos fez perceber o quanto dependemos dela. Sentimos o impacto desde a primeira revolução industrial até a quarta, que já existia antes da pandemia, mas veio a se concretizar após ela.

A tecnologia não é protagonista somente no trabalho e no lazer dos cidadãos, tendo participação fundamental no sistema de vigilância e monitoramento das pessoas que suspostamente não estariam obedecendo a norma da quarentena. Esse exemplo e muitos outros provam que o momento de isolamento social está sendo aproveitado para testar novos mecanismos de segurança e controle populacional.  

O que aconteceria se invertêssemos as regras? Por exemplo, se nos fosse permitido sair e se relacionar normalmente com as pessoas, mas em troca nos fosse tirado o direito de mandar mensagens, postar, fazer vídeos ao vivo ou jogar? Em suma, será que o ser humano seria capaz de trocar a tecnologia pelo convívio social?

Essas perguntas provavelmente ficarão sem resposta, não só pelo fato de serem complexas, mas porque muitas pessoas teriam vergonha de assumir que não vivem mais sem a tecnologia. 

A Quarta Revolução Industrial se instalando oficialmente no planeta.   

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