Comportamento Cotidiano

Tolerância em Tempos Conturbados

Adquirir uma visão mais ampla e, consequentemente, menos contaminada de preconceitos e juízo de valor, propicia a oportunidade de o indivíduo nutrir maior tolerância frente às adversidades, ou mesmo em algumas situações cotidianas da vida que necessitam desta virtude para se manter a harmonia interior e exterior.

A tolerância só é revelada para aqueles que enxergam o mundo como uma unicidade do criador, onde todos os elementos que compõe a vida, até onde nossos sentidos podem apreender, são parte de um todo, que por mais incognoscível que seja, aplica as mesmas leis para todos. 

Uma das leis, embora não estejam expressadas dessa forma, é a tolerância para com o próximo. Sabemos que o mesmo critério que utilizarmos para julgar a vida alheia, esse mesmo critério será usado contra nós na vida material ou através da lei do carma.

O mesmo acontece quando uma situação desgostosa ocorre. Temos de ter tolerância em relação a nossos erros, não titubear e seguir em frente. As dificuldades surgem para nos fazer aprender com nossas próprias falhas, e para sermos indulgentes com o erro de nossos irmãos. É como se fosse um teste, e o homem com seu livre arbítrio tem a chance de se reerguer perante os infortúnios de sua jornada.

Atualmente, assuntos sobre direitos humanos são amplamente debatidos, e inúmeras manifestações populares vem ocorrendo, simbolizando a sede de justiça das pessoas diante de casos que ferem o direito constitucional, e mais importante ainda, ferem os direitos dos cidadãos como seres humanos e irmãos. 

A questão aqui não é pura e simplesmente se o fulano é a favor ou contra o racismo, a liberdade sexual, aos homossexuais, ao feminismo, a determinada religião ou a concentração de poder e desigualdade social. A questão é que, independente de suas posições político-sociais, a sua dignidade e valores devem conduzi-lo a tolerar tudo aquilo que não se insere dentro de suas opiniões. Pode-se coletar os melhores e mais idôneos argumentos que comprovam a sua tese, entretanto há momentos em que o melhor não é discutir, e sim cultivar a tolerância. 

As décadas de 1960 e 1970 foram banhadas de manifestações político-sociais, época em que a contracultura se proliferou, a liberdade sexual, os hippies, os punks, as feministas e os ativistas de direito civis colocaram suas ideias na mesa, influenciando uma quantidade grande de pessoas que sentiam falta de uma voz que pudessem lhe proporcionar um motivo maior para protestar. 

As manifestações são importantes se de fato visam combater a injustiça, os maus tratos e a indiferença do sistema frente aos direitos dos cidadãos. Deve-se agir no núcleo da questão e protestar de forma organizada, para que além de manter a fidedignidade, não abra margem para atos de vandalismo que corrompem seu real propósito.

Portanto, ser tolerante não significa se abster de se manifestar, seja por qual meio for. Dada as devidas proporções, vivemos uma época similar aos anos 60 e 70, principalmente se considerarmos a pluralidade de temas controversos existentes no âmbito social. Porém, a tolerância foi escassa nesse período, provocando diversas mortes, incluindo Martin Luther King, famoso líder de direitos civis. 

Seja crítico, tenha livre pensamento e tire suas próprias conclusões. E, simultaneamente a isso, pratique a tolerância, pois ela é a única que pode lhe manter no centro, sob controle e livre de qualquer culpa. Debata quando necessário e abstraia quando não houver clima para debate. Não devemos jogar pérolas aos porcos. 

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