Comportamento

Livre Pensamento

É muito fácil atualmente procurar referências na internet sobre um determinado assunto e dissertar sobre eles. O avanço da tecnologia colocou a apenas alguns cliques de distância o conhecimento, o que pode ser benéfico, mas também prejudicial.

Muitas pessoas não leem livros ou jornais, mas se mantém informadas pelos portais dos veículos impressos ou até pelas mídias sociais que fazem um recorte dos principais acontecimentos e disponibilizam o link para acesso da notícia na íntegra. 

Cursos online são disponibilizados a todo vapor, das mais variadas categorias e subcategorias. A época da quarentena potencializou esses fatores, praticamente substituindo o contato humano e o aprendizado presencial.

Mas qual o lado ruim disso? Tudo é muito fácil, mas ao mesmo tempo líquido, segundo a filosofia de Zygmunt Bauman. A sabedoria consiste em absorver o essencial de cada assunto e colocar de lado o supérfluo. Ora, no mundo contemporâneo estamos submersos a inúmeras informações espalhadas e instantâneas que nos fornecem o conhecimento por algum momento, mas que não preenche nosso cérebro com o verdadeiro saber. 

Muitas pessoas são as aspas de outra pessoa, são o discurso político calculado de outros, se resumem a uma postagem com frase de efeito. Onde está o livre pensamento? Vivemos em um estado laico e democrático, mas me parece que, pouco a pouco, os cidadãos estão esquecendo do que há de mais precioso neles: O livre arbítrio e o senso crítico. 

Evidentemente que isso é um fenômeno camuflado. A população tem a ilusão de que é livre, de que pode expressar suas opiniões livremente. Mas que opiniões são essas? São discursos de outras pessoas? São o que a maioria está clamando? Isso não é ser livre. Livre pensamento é ter a capacidade de refletir de forma crítica informações distintas e de todos os espectros e formar a sua própria linha de raciocínio. 

É claro que as referências de grandes mentes do passado devem ser usadas como pilares para a construção de argumentos, porém a liberdade exige que a pessoa não se resuma a isso, não seja um robô que repete frases de efeito ou idolatra uma figura como se este fosse uma divindade que merecesse ser cultuada década após década, século após século. O culto a celebridade também é um problema, tendo em vista que coloca as pessoas dentro de uma bolha e as limita de enxergar qualquer outro ponto de vista externo. 

Todas essas questões destroem qualquer possibilidade de se nutrir um livre pensamento crítico, envolto a uma sociedade cada vez mais acostumada com o fácil e o instantâneo.  

1 comentário

  1. Muito boa reflexão! O conhecimento humano está dobrando em menos de um ano, mas isto não significa que devemos abrir mão de nosso senso crítico, aceitando qualquer informação como se fosse a expressão da verdade.

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