Cotidiano

Preconceito se Combate Pela Raiz

O preconceito sempre existiu ao longo dos tempos. O seu propulsor é o fato de alguém achar que é mais que o outro por alguma característica física, racial, geográfica, social e sexual, apenas pra citar as mais comuns. Portanto, o sujeito crê firmemente que tem mais valor do que o outro, a partir de seus pré-conceitos sobre a vida e a interação humana. Sempre que essas avaliações prévias, superficiais, prepotentes e equivocadas são contestadas, o agressor perde a linha e provoca mais rupturas entre povos de diferentes nações.

Nos últimos meses, deparamos com diversas formas de preconceito, principalmente nos Estados Unidos e no Brasil. Tais acontecimentos geraram amplas manifestações populares, tanto presencialmente como no âmbito digital. Essa resposta do povo é legítima e positiva, porém involuntariamente não combate o mal pela raiz. 

Isso pode soar polêmico de minha parte. Podem me dizer que é muito mais fácil escrever em um computador do que vivenciar e participar ativamente de um protesto, que deve ser minuciosamente orquestrado para que toda a mensagem seja compreendida pelo povo e pelas autoridades. Isso é uma grande verdade. Entretanto, sou um livre pensador e faço minha parte da maneira mais exequível possível. 

As manifestações populares são o esparadrapo que se coloca na ferida. Essas movimentações são necessárias para contra-atacar. A tese sempre fará com que surja uma antítese. Todavia, ambos ficarão se enfrentando e por consequência dividirão cada vez mais não apenas a opinião pública, como também a animosidade. A harmonia e a ordem que devem ser preservadas para que haja futuro em qualquer nação do mundo. Principalmente se considerarmos que grande parte das manifestações terminam com confronto policial, o que só oferece mais uma camada de conflito.

A raiz do problema do preconceito, de qualquer natureza, é a educação. O indivíduo detecta e captura fragmentos de verdade e conceitos pré-estabelecidos a partir de sua criação, do ambiente em que convive, das pessoas que dialoga e da sua própria capacidade de pensar por si mesmo. Muitas pessoas jamais praticaram qualquer tipo de ato preconceituoso. Mas a pergunta que fica é: isso os excluem de ser preconceituosos? Há a possibilidade de existir um tipo de preconceito silencioso?

No meu ponto de vista, respondo não e sim para a primeira e segunda pergunta respectivamente. E digo mais, essas pessoas que se escondem por trás de um perfil de bom samaritano, mas que nutrem preconceito de forma oculta, são tão perigosas quanto os que expõem isso abertamente, uma vez que não fazem absolutamente nada para combater esse mal, e julgam as pessoas precipitadamente, cultivando e distribuindo valores de cunho eugênico para gerações posteriores.

Prestamos muita atenção e nos sensibilizamos com os inúmeros episódios de preconceito nos últimos tempos. Mas temos que focar em cortar o mal pela raiz. Isso começa com uma reforma pessoal de nós mesmos, observando e avaliando nossos pensamentos, para que possamos ficar livres de qualquer ideia pré-concebida. Mudar a nós mesmos significa mudar o mundo, e a partir dessa ação é que nos tornamos capazes de curar o planeta terra desta terrível mazela, não somente a partir de nossas atitudes, mas também dos princípios que perpetuaremos para as crianças. Seriam elas o nosso futuro promissor ou serão meros substitutos dos que protagonizam o sentimento de superioridade infindável que machuca a humanidade desde tempos remotos?

O tempo dirá. E a mudança deve começar no aqui e agora.  

1 comentário

  1. Concordo com você em quase tudo! Quase porque reconheço que todo ser humano tem sua mala de preconceitos, mesmo que, como você mesmo disse, sejam silenciosos e muito bem guardados. Para reconhecê-los é preciso disposição e autoconhecimento, além de muita coragem. Reconhecê-los já é um bom passo, senão para a mudança, pelo menos para guardá-lo de forma a aceitar sua humanidade (não somos perfeitos) e, sobretudo, impedi-los de afetarem destrutivamente os outros. Falo daqueles preconceitos que não entram na mídia com tanta eloquência, mas existem. Então, a reforma humana é interior, menos contaminada pela mídia e pelo que se quer chamar atenção, ou distrair a atenção, e mais pela responsabilidade de nos conhecermos e, a partir daí, nos tornarmos pessoas melhores.

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