Comportamento Literatura Poema

Um Adeus Que Não Deixará Saudade

Venho aqui até vocês para novamente apresentar mais um poema incluído em meu livro “O Outro Significado”. Esta seção exclusiva deste livro no blog é uma forma de aproximá-los cada vez mais de meu estilo de escrita e permitir também que vocês conheçam alguns elementos do íntimo de meu ser, que são expostos categoricamente nos versos. Quem tiver interesse de adquirir o livro acesse este link: https://linktr.ee/andrepuga

O livro é composto de quinze capítulos, cada qual contendo um poema correspondente ao título do capítulo em questão. Os versos estão diretamente relacionados à trama do livro, porém é inegável sua ligação com o autor. E é desse segundo aspecto que iremos falar nesse post, já que sou contra spoilers e já há conteúdo introdutório sobre a história na internet. Para mais informações me siga no Instagram através do link disponível no site e acesse o destaque “1º Livro” em meu perfil.

O poema que apresentarei a vocês agora pertence ao capítulo 15, portanto sendo o responsável pelo fechamento da leitura. O nome que dei a ele é: “A Hora de Dizer Adeus”. Peço licença ao leitor para tratar deste assunto em primeira pessoa, como forma de torná-lo mais sincero e fidedigno. 

Trata-se de mais um conjunto de versos que aborda problemas e conflitos existenciais na vida daquele que, por algum motivo, tem vergonha de seu passado. Em dados momentos de minha vida senti uma profunda vontade de dizer adeus. Não à vida propriamente dita, mas às minhas atitudes e comportamentos sociais das quais eu obtinha um prazer momentâneo e depois sofria de arrependimento. Dizer adeus a um velho modelo comportamental para encarnar como um cara mais fortalecido e justo com o próximo e comigo mesmo. Essa obsessão por esse adeus persiste até os dias de hoje.  

Nunca fui maduro e experiente para contornar situações que exigissem mais cautela, discernimento e sensatez de minha parte. Nunca tive habilidades interpessoais que me possibilitassem adquirir resiliência em ocasiões de mudança de panorama dos acontecimentos. Me mostrava como um cara durão, que não tinha medo de nada; mas era apenas um escudo para que as pessoas não percebessem o quanto me sentia fragilizado e sozinho por não possuir o mesmo nível de maturidade de pessoas da minha idade ou até mais novas. 

Quando menciono a palavra “sozinho” não quero dar a ela o significado real da acepção do termo. Nunca fui sozinho, embora, em algumas oportunidades, fizesse um grande esforço em me isolar. E é graças as diferentes convivências que compartilhei minha vida que pude absorver muito do aprendizado que tenho hoje, embora ainda considere insuficiente em termos de maturação. Prossigo vigiando minhas atitudes, minhas falas e meus pensamentos para que um dia possa encontrar uma harmonia interna, que efetivamente também irá me auxiliar em meus relacionamentos.

É com prazer que apresento a vocês o décimo quinto poema de minha obra. Espero que eu lhes faça refletir mesmo que apenas por alguns segundos.

É HORA DE DIZER ADEUS

1 – Eu nunca soube, dizer sim e não na hora certa, eu nunca soube, andar envolto a multidão, sem enxergar uma ilha deserta, eu nunca soube, diferenciar parceria do efêmero, saber dar ouvidos ao que brota de dentro, a pureza que te mantém no centro. Eu nunca soube, ser julgado, e me manter equilibrado, perante ao público e ao poder judiciário. Eu nunca soube, a real felicidade da vida, ser vulnerável, curar minha ferida, perdoar e ser perdoado, ter o amor e a gentileza acima de qualquer obstáculo.

2 – Eu nunca soube, quando falar e silenciar, como uma brisa solta no ar, atuando com competência, abrindo as portas para a resiliência. Eu nunca soube, administrar o orgulho, oriundo de um passado obscuro, mas cego enquanto a igualdade de condições, aprendendo e esquecendo as lições. Eu nunca soube, relacionar a amizade com romance, as diferenças são grandes, mas por um momento, instante após instante, recebendo novas chances, ignorando suas nuances, vomitando atitudes e dialetos, que afastam qualquer um de perto. 

3 – A ficção entra em colisão, com a realidade e o meu sermão, o comportamental, em fusão com o espiritual, no eterno conflito entre a pureza e o carnal. Eu nunca soube o que é o outro significado, assistindo minha vida passar em cima do alambrado, observando as pessoas evoluindo, e eu permanecendo parado. Neste jogo de xadrez, eu nunca soube, me aproximar corretamente, esperar minha vez, atitudes prematuras, contrato assinado com a luxúria, para mascarar a dor da injúria, envolto a filosofia e a literatura, municiado com minha sinceridade e minha fúria, de um cara que nunca soube, ao menos, aprender com os erros, usufruir de toda sua ilicitude, transformá-las em virtudes, renascer como a fênix em alto grau de magnitude. Estou fazendo uma viagem sem volta, tranquei a porta, e não vou olhar para trás, eu quero paz, mais um pouco de paz, sentir aquela sensação boa que vem de dentro, no desabrochar do desenvolvimento, a escravidão tem medo do conhecimento, talvez nunca encontre um senso de pertencimento, mas buscarei um meio termo, ao longo desta trajetória, entre a depressão e a falsa glória, eufórica, artificial e utópica.  

Tchau, estou indo embora, é hora de dizer adeus, eu acredito que lá em cima exista um Deus, portanto o que pertence a mim também são seus, entretanto, nunca me contaram nada, sobre uma vida fragmentada, e pouco democrata, sempre em larga escala, atolados em um bueiro de baratas, que se disfarçam de cordeiros e enganam toda a praça, eu estou fazendo aqui a minha errata, mas eu nunca soube, admitir minhas falhas, sem uma crítica intercalada.

2 comentários

  1. Lindo, denso e profundo! Quem é esse autor que se acha tão pouco contendo tanto dentro de si? Me surpreendo sempre, e positivamente, com seus relatos. Parabéns!

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